Aprenda a tomar decisões sobre o seu dinheiro.

Aprenda a tomar decisões sobre o seu dinheiro.

Eu curto muito ir a um café. Gosto do ambiente, do aroma, da decoração e da característica caseira e intimista de muitos destes lugares. Quando estou em uma cidade diferente, logo procuro um café para ler algo, trabalhar um pouco e simplesmente curtir o lugar.

Eu gosto mais de estar em um café do que tomar café, mas há uma bela lição em como as pessoas se comportam quando decidem comprar um café em um lugar destes.

Imagine que você pudesse entrar na mente das pessoas que estão decidindo por tomar um café. Se isso fosse possível, você encontraria três grupos de pessoas, com três linhas de pensamento diferentes, três resultados amplamente diferentes e talvez com a mesma decisão tomada.

O primeiro grupo de pessoas – os doentes financeiros

O primeiro grupo de pessoas – aquelas que provavelmente não conseguirão prosperar ao longo do tempo – ao se deparar com um café de R$ 5,00, faz duas perguntas.

A primeira: “eu quero este café de R$ 5,00?” Supondo que a resposta seja sim, a segunda pergunta é “o que eu preciso fazer para conseguir este café?”. Estas pessoas podem pedir o dinheiro para alguém, emprestar de um amigo ou pagar a crédito (emprestar do futuro).

Pagar com o cartão de crédito não é o problema. O problema é que são pessoas governadas pelo impulso. Elas farão o que for preciso para conseguir o café.

O segundo grupo – a classe média

O segundo grupo de pessoas – aquelas que conseguirão viver com algum conforto, mas que dificilmente se tornarão financeiramente prosperas – ao se deparar com um café de R$ 5,00, pensa:

“Eu quero este café de R$ 5,00?” Assumindo que sim, o segundo pensamento é: “eu tenho R$ 5,00?”. Em tendo, compram o café, o que parece plenamente aceitável e correto.

Este é o jeito que a grande maioria das pessoas pensam, por isso mesmo são pessoas “na media” ou “classe media” (ok, também não sou o maior fã destes termos, mas para a mensagem que quero transmitir eles servem para facilitar o racional).

O terceiro grupo – os prósperos

O terceiro grupo – pessoas que tem mais chance de se tornarem prósperas com o passar do tempo – pensam assim:

“Eu quero o café de R$ 5,00?” Quando a resposta é sim, a segunda pergunta, ou a segunda linha de pensamento que praticam é muito diferente dos dois primeiros grupos.

Estas pessoas pensam: “se eu gastar R$ 5,00 neste café, são R$ 5,00 que eu não poderei destinar para nada mais” No limite são pessoas que pensam que são cinco reais que não poderão ser investidos.

Deixar de tomar café e ser milionário? Tô fora

Ok! Eu sei o que você está pensando agora… E deve ser mais ou menos isso: “lá vem mais um daqueles “econo-chatos” com contas que mostram que R$ 5,00 por dia em um café não tomado somam milhares de Reais daqui a 30 anos.”

Bem, continue comigo pois tenho 3 coisas para lhe dizer:

  1. A conta exata é: R$ 5,00 por dia / 30 dias por mês / 30 anos a 10% de juros ao ano somam cerca de R$ 310.000.
  2.  Leia a frase acima 3 vezes em silêncio e pausadamente.
  3. Muitas vezes eu tomo o café mesmo assim.

Tomo o café mas estou ciente da escolha que faço, uma vez que eduquei a minha linha de pensamento para entender as consequências imediatas (o prazer do café) e as consequências de longo prazo (R$ 310.000 a menos em meu patrimônio se eu tomasse 1 café de R$ 5,00 por dia, mas decido não tomar mais café algum por 30 anos).

A linha de pensamento dos prósperos.

Eu cresci em uma família do grupo dois e reconhecer que há algo de valor na linha de pensamento dos prósperos foi um choque para mim. Em uma primeira leitura me pareceu mesquinho demais, pequeno demais e não me parecia algo bacana ter que “calcular” tudo… Que visão curta a minha…

Em casa nunca nos faltou nada, mas houveram tempos difíceis e nunca percebi, principalmente por parte dos meus pais, um sentimento de paz e de liderança no relacionamento deles com o dinheiro. Sempre foi algo mais pesado do que leve, mais azedo do que doce, mais angustiante do que libertador.

Repare que existem basicamente 2 coisas acontecendo na linha de pensamento dos prósperos.

Custo de Oportunidade

Em resumo: o custo de oportunidade é perceber que os R$ 5,o0 gastos no café não poderão ser destinados para absolutamente mais nada. Não poderão ser investidos em um negócio novo, no mercado financeiro ou em desenvolvimento pessoal (e as pessoas mais prósperas que conheço fazem isso com alta intensidade e intencionalidade).

Toda e qualquer compra feita hoje automaticamente cancela todas as demais oportunidades que a mesma quantia poderia lhe fornecer em outra compra, em outra decisão.

Ao ensinar (e aqui, ensinar é igual a treinar, que por sua vez é igual a propositalmente pensar assim, até que vire um hábito natural) o seu cérebro que qualquer escolha hoje é uma renuncia amanhã, automaticamente você será menos propenso a ser levado pelo consumo e mais preparado para consumir o que realmente importa, mesmo que seja o seu café de R$ 5,00.

Repare: não é sobre o café e não é sobre os R$ 5,00. É sobre a linha de pensamento.

Custo escondido

Reforçando: R$ 5,00 por dia / 30 dias por mês / 30 anos a 10% de juros ao ano somam cerca de R$ 310.000

Quer mais uma conta? Aqui vai:

R$ 5,00 daqui a 30 anos a 10% ao ano é igual a cerca de R$ 87,00, ou seja, o custo escondido do café, ao considerarmos a força dos juros compostos e do tempo é de R$ 82,00 (87,00 – 5,00).

Você pagaria cerca de R$ 80,00 por um café?

Talvez sim, talvez não, não é este o ponto. O que desejo provocar é a renovação de sua linha de pensamento pois ao longo do dia decidimos gastar centenas de reais apenas a partir do conceito do custo do produto ou serviço.

Ao adicionar o conhecimento / a percepção do que é o:

  • custo de oportunidade (dinheiro gasto em algo é automaticamente um valor que não poderei gastar em outra coisa)
  • custo escondido (valor do dinheiro gasto hoje ao longo do tempo)

você terá mais elementos para pensar melhor sobre suas decisões.

O problema com o relativismo em sua jornada rumo a prosperidade

Atualmente é mais charmoso e facebook-pop-aceitável dizer que o quê importa é ser feliz, encontrar sua paz, seu propósito e, em meu exemplo, tomar um café e pronto, contanto que isso lhe faça feliz…

🙂

Sem delongas: A jornada para a prosperidade é repleta de decisões difíceis. Sempre haverão pessoas julgando e se intrometendo em suas decisões, como eu estou fazendo com este texto.

Ao longo de sua jornada busque blindar-se contra o relativismo do “tudo pode, tudo está bom”. Respeite o papel inestimável e infalível da boa e sempre precisa matemática em sua vida.

Cabe a você encontrar alguns parâmetros e um conjunto de orientações que possam lhe guiar ao longo desta jornada.

Só há uma certeza não relativa ao longo do seu caminho: haverão escolhas à serem feitas.

No caminho da prosperidade o que mais conta não são as escolhas, mas sim a linha de pensamento que você usará para decidir suas escolhas.

E nisso, 1+1 pode ser mais do que 2.

Gostou deste texto? Compartilhe com pessoas que possam ser ajudadas com conteúdos deste tipo. E caso tenha uma visão que queira compartilhar, não deixe de fazer isso nos comentários abaixo.

PS: Escrito em uma manhã chuvosa de Janeiro/2017, em um sofá confortável, ouvindo uma boa música de fundo… E tomando um café de mais de R$ 10,00.

🙂

 

 

 

 

Sobre o Autor

André Novaes é empreendedor formado em administração de empresas. Acumula experiência no varejo e mercado financeiro, tendo atuado em empresas como 3M do Brasil, Credit Suisse Hedging Griffo, e Prudential do Brasil. Como empreendedor, a sua jornada começou em 1998, quando montou a sua 1ª empresa, um site de internet que posteriormente foi vendido em 2000. Especialista em planejamento de vida, proteção financeira e investimentos dinâmicos, atua como pesquisador e planejador, professor e palestrante, com a missão de conduzir as pessoas e famílias brasileiras à auto- gestão responsável de sua vida e finanças, reconduzindo a família ao centro do planejamento de vida. Em 2007, André Novaes fundou e atua como CEO da LifeFP™. Em 2016 escreveu o manifesto “Uma Nação em Sua Melhor Versão” e criou a LIFE Academy como a plataforma que planejará a vida milhões de brasileiros e transformará a relação das pessoas com o dinheiro.

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