Aprenda a tomar decisões sobre o seu dinheiro.

Aprenda a tomar decisões sobre o seu dinheiro.

Se você tivesse que escolher entre procrastinar e acelerar para realizar as coisas mais importantes de sua vida, o quê escolheria?

Imagino que a resposta seja acelerar e realizar, ir para a ação, mas procrastinar pode ser uma das coisas mais inteligentes e eficientes que você tem à fazer em sua vida e principalmente em suas finanças pessoais.

Uma das mais recentes “modas” é a descoberta da escassez pelo marketing, principalmente o digital. A escassez é quando você é estimulado a tomar uma decisão pois:

  • você só tem mais X horas para isso uma vez que após este prazo, tal produto / serviço não será mais ofertado;
  • se não decidir agora o preço irá aumentar (geralmente de forma drástica… quanto mais drama, melhor)
  • ao decidir agora você receberá bônus incríveis e que geralmente superam em cerca de 5-7 vezes o valor do próprio produto / serviço comprado.

E quer saber? Isso tudo funciona! E muito! E te faz desperdiçar um monte de dinheiro e tempo.

O criador da escassez moderna

Talvez o maior influenciador desta turma seja o trabalho do Professor Robert Cialdini que em 1984 escreveu o livro As armas da Persuasão. No livro, Cialdini super qualifica a escassez quando escreve: “A tendência à ser mais sensível a possíveis perdas do que a possíveis ganhos é uma das mais relevantes descobertas na ciência social“.

Em resumo, quanto menos se tem de algo, maior é a nosso desejo.

Quanto mais inacessível algo pareça ser (e basta parecer, não precisa necessariamente ser – o nosso cérebro, apesar de ser algo incrivelmente avançado, pode também ser facilmente enganado), maior é o nosso desejo por este “algo”.

A justificativa moderna (e mercadológica) da escassez

São basicamente 2:

  1. Pessoas são procrastinadoras por natureza e por isso é que devemos criar estímulos para que ajam, afinal de contas a nossa oferta é boa para elas. Pessoas apenas possuem um comportamento naturalmente desenhado para não perceber o quão boa é a oferta sem este “estímulo”.
  2. As pessoas podem sempre dizer não, por isso eu não estou fazendo nada de errado com este “push” a mais. Estaria fazendo algo errado se não desse a oportunidade da pessoa decidir e decidir já.

Peça ou jogador?

A escassez te coloca como peça do jogo do outro, uma vez que é o ofertante quem decide quando você pode comprar o produto ou serviço. As regras (fundamentalmente o prazo) está com o vendedor e cabe a você, desejoso deste jogo, atuar como uma peça do jogo do vendedor e não como um jogador do seu próprio jogo.

Outras aplicações cotidianas da escassez

Até agora eu descrevi muito resumidamente a escassez que é criada por outros, mas na maior parte das vezes somos nós mesmos quem a criamos como uma justificativa de nosso comportamento enquanto consumidor.

Pensamentos como:

“preciso disso agora”

“pode ser que acabe logo”

“esta oportunidade está imperdível”

“é apenas desta vez”

são todos oriundos da mesma lógica que envolve a escassez, ou seja, o prazer na antecipação do benefício imediato ao invés da paciência construtiva para o benefício duradouro.

Então, o quê fazer?

Procrastinar, mas só se for de propósito.

Há uma bela estória de pescador que se lê:

Se você for a um lago ver um pescador ao amanhecer, o que estará logo ao lado dele?

Bem, provavelmente algumas latas de cerveja!

Correto! E o quê você veria ao lado das latas?

Provavelmente alguns peixes que foram pescados.

Boa! E se você fosse ao lago e visse um pescador por volta do meio-dia, o que encontraria ao lado dele?

Provavelmente você não veria nada, nem mesmo o pescador! O pescador não estará no lago neste horário. Ele está preparando o produto pescado na noite anterior e se preparando para voltar a pescar assim que o sol se por.

Moral da estória: timming é importante. Há uma hora certa para tudo e você não pode deixar que os vendedores lhe digam isso. É você quem tem que saber qual é a hora mais adequada para toda e qualquer decisão de consumo.

Desta forma você se torna mais jogador do próprio jogo e não apenas peça do jogo dos outros.

Procrastinar de propósito? Como assim?

Quando refleti sobre isso eu também me vi nesta encruzilhada. Sempre pensei que procrastinar era algo ruim, mas há uma confusão de conceitos que aprendi a discernir.

Não fazer algo que você sabe que precisa ser feito, que precisa ser feito por você e não fazer, pois você não “está a fim”, isso é procrastinar.

Intencionalmente não fazer algo que pode ser deixado para depois (e todo consumo pode, todo! Mesmo aquele que eu e minha empresa oferecemos) não é procrastinar, é paciência.

E paciência é procrastinar de propósito.

Procrastinar de propósito é lhe dar tempo, espaço e margem para respirar, ponderar e avaliar o que realmente importa para você.

Procrastinar de propósito é dar um tempo maior e melhor para que a sua perspectiva sobre a decisão iminente seja ampliada, melhorada e clareada.

Saber que precisa exercitar-se e não sair do sofá é procrastinação. Ter paciência e refletir sobre a melhor academia e o melhor personal é procrastinar de propósito.

Saber que precisa gerenciar a vida financeira e não fazer nada é procrastinar. Pacientemente estudar e analisar as opções para separar o joio do trigo é procrastinar de propósito.

Saber que precisa ter aquela conversa relevante com alguém e ficar em silêncio é procrastinar. Refletir, orar e se colocar no lugar do outro em preparação para esta conversa é procrastinar de propósito.

Como saber a diferença?

Primeiro: você sabe! E não se engane – Você sabe que sabe.

Segundo: amplie a sua intencionalidade e neutralize suas boas intenções.

Clique aqui para fazer o teste das boas intenções e intencionalidade.

Todos (eu realmente creio que todos!) sabemos o quê precisamos fazer para uma vida melhor (cuidar da saúde, cuidar dos relacionamentos, da espiritualidade, das finanças, da carreira, do lazer) e geralmente reservamos isso às boas intenções.

Mude sua postura mental e redesenhe suas atitudes para pensar mais e agir depois (ao invés da cultura atual que comanda o agir agora e o pensar… depois).

Seja mais intencional com o seu processo de análise e ponderação. Sempre que encontrar uma oferta tentadora, pesquise sobre quem está por trás, as motivações do ofertante, as credenciais e acima de tudo, pondere:

“Este é o meu momento para entrar nesta oferta, para tomar esta decisão, para engajar neste caminho?”

Procrastinar de propósito é sobre a paciência para esperar.

Intencionalidade é sobre a disciplina para agir.

Para encontrar a sua melhor versão você precisa da combinação das duas coisas.  Sucesso em nossas vidas não é algo preto e branco. Não é algo linear com as mesmas respostas corretas para todas as perguntas. Sucesso na vida é:

rápido e devagar

grande e pequeno

lógica e emoção

paciência e ação

Paciência é a maior das disciplinas que você pode e deve aprender. É a cura para a ansiedade, é o melhor remédio da alma.

E procrastinar de propósito é muitas vezes a maneira mais eficiente de acelerar e realizar as coisas verdadeiramente e intencionalmente relevantes em sua vida.

Gostou desta reflexão? Compartilhe e marque seus amigos e queridos que podem estar sofrendo com esta cultura atual da produtividade, pressa, agilidade. Ele ou ela podem estar se sabotando na busca pelo mais, quando o mais sensato é o paciente contentamento no menos.

 

 

 

Sobre o Autor

André Novaes é empreendedor formado em administração de empresas. Acumula experiência no varejo e mercado financeiro, tendo atuado em empresas como 3M do Brasil, Credit Suisse Hedging Griffo, e Prudential do Brasil. Como empreendedor, a sua jornada começou em 1998, quando montou a sua 1ª empresa, um site de internet que posteriormente foi vendido em 2000. Especialista em planejamento de vida, proteção financeira e investimentos dinâmicos, atua como pesquisador e planejador, professor e palestrante, com a missão de conduzir as pessoas e famílias brasileiras à auto- gestão responsável de sua vida e finanças, reconduzindo a família ao centro do planejamento de vida. Em 2007, André Novaes fundou e atua como CEO da LifeFP™. Em 2016 escreveu o manifesto “Uma Nação em Sua Melhor Versão” e criou a LIFE Academy como a plataforma que planejará a vida milhões de brasileiros e transformará a relação das pessoas com o dinheiro.

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